Pela segunda vez na minha vida, em menos de um ano.A Millie, minha pequena Millie, se foi em agosto do ano passado (2007), estava doentinha e não resistiu, quando cheguei na cozinha de manhã cedo para tomar café, lá estava ela, dormindo no sofazinho, mas tinha um porém...Quando eu olhei para a barriguinha dela: o pulmão não se movimentava, eu só soube chegar no quarto da minha mãe que ainda dormia e falar: "Mãe, a Millie, mãe, a Millie!" - já chorando apavorada.O jeito foi ir pro colégio mesmo assim, tinha prova de matemática. De tarde fomos pra nossa casa em Iraí, e nos despedir da imagem, compainha e vida da nossa fofa de 7 aninhos.
A Champy engravidou em Janeiro, em Iraí, estava no primeiro cio e foi estuprada por um vira-lata preto e grande, dobro ou triplo dela.Nós rezamos, a minha mãe tentou tirar ele de perto dela, mas já era tarde...Ela já tinha fugido, e era apenas um bebê, não sabia de nada...Dia 30 de março ela entrou em trabalho de parto, a bolsa estorava e ela não saía da caminha dela, seu olhinhos pediam por socorro, estava doendo, ela tinha contrações mas não tinha dilatação, se tinha era muito leve...O veterinário dizia para esperar não sei quanto tempo, e conforme o tempo passava, mas minha mãe tinha certeza de que ela teria que ir pra cesária no mesmo dia e mais eu ficava preocupada e com o fio de esperança de ela ficar bem e o filhote nascer com vida...
Dia 31 de março ela continuava, só com contrações e dor, tentamos dar injeção para induzir o parto, conforme o veterinário tinha indicado...Não adiantava, ela não agüentava mais, estava exausta.Dia 1º de abril, meu pai levou ela de manhã cedo pra Frederico no outro veterinário para cuidar dela e fazerem a dita cesária. De tarde conseguimos contato, Champy estava bem, o filhote tinha o tamanho de um palmo (a Champy deve ter 2 palmos, miudinha), nasceu morto.De tardezinha fomos buscá-la. Ela estava bem, porém cansada ainda. O veterinário que cuidou dela ainda deu uma vitamina de cálcio pra ela se fortificar e algumas seringas para aplicar e que ela ficasse melhor.Ela veio pra casa, coloquei a caminha que ela estava sempre deitada no lugarzinho dela do meu quarto, enquanto eu tinha que pintar umas coisas na escrivaninha. Cada pouco eu olhava pra ela, só que de repente eu escutei ela começar a gemer - chamei a mãe, depois veio o pai e uns 5 min. ela ficou molenguinha, a mãe pegava ela e ela não tinha controle do próprio peso da cabecinha.
Meu pai ligou pro veterinário, as coisas não estavam NADA boas.Ele meteu o pé e fomos correndo, rezando e chorando muito para tentar salvar a vida dela.Assim que chegamos, ele tentou animar ela com uma injeção, tentou procurar uma veia pra colocar um soro, mas ela já não tinha mais sangue nos bracinhos, era impossível. Ele colocou o pouco desse soro subcutâneo, ela chorou do jeito que conseguia, deve ter doído muito...Eu estava afastada porque meu pai pediu que eu não ficasse tão perto para sofrer menos, mas não adiantava, de qualquer forma eu me escorei na porta e olhava de um lado pro outro, cada vez as lágrimas pesavam mais...Até que eu sentei do lado da cadeirinha do meu pai, e não parava de olhar pra ela.Teve um momento em que eu parei de chorar e fiquei olhando pra ela, que de repente olhou pra mim com os olhos bem abertos.Minha mãe começou a se mexer ali do lado procurando um crucifixo, e logo isso, o veterinário falou: "Que pena, perdemos ela..."No momento em que minha mãe procurava o crucifixo e achou a imagem de São Francisco de Assis, foi o último suspiro dela, eu a olhava e dizia Te Amo minha pequininha em pensamentos profundos, ela me olhou antes de ir embora, eu sei que me amava muito...
E agora eu não tenho mais lambidas no nariz, no rosto inteiro, já não posso mais pegar ela no início da escada pra trazer pra sala, ela não sabia descer, era perigoso, e ela confiava em mim pra pegar ela ali...Já não tenho mais meu "rabixinho" pra andar comigo por onde eu fosse pela casa, ela já não pode mais esperar eu sair do banho, eu tinha que fechar a porta do banheiro, se não ela entrava junto. Muitas vezes eu estava no banheiro mesmo e ela ficava do meu lado esperando eu fazer xixi e eu tinha que pedir licença, ela ia pra fora da porta e esperava olhando pra mim. Eu me levantava e ela já esperava faceirinha pra que eu descesse pro computador (na sala) e levasse ela junto...
Não tenho mais minha compainha pra dormir, não tenho mais minha guardinha, que eu dava boa-noite, bom-dia e tchau antes de ir pra escola, não tenho mais...Perdi minha parcera, minha pequeninha criança que brincava comigo de morder meu rosto e eu tapava com um travesseiro, ela ficava indignada e então eu tirava e abraçava ela também...Eu não vou mais ter mordidas no nariz e na orelha como num dia em que me deitei no chão da cozinha pra brincar com ela e ela e seus dentinhos causaram isso, mas eu fiquei feliz, afinal, era apenas uma brincadeira, nunca fiquei braba com a Champy.
Ela era minha chique "Maltês" como certas pessoas achavam, mas era a misturinha linda de cofap com poodle...Perfeitinha.
Carregava minhas meias e minhas pantufas pra sala de estar enquando eu procurava o outro par no meu quarto...Queria lamber todo mundo que chegava aqui em casa, mesmo sem conhecer pulava no colo e queria ser amiga...Latia para qualquer barulho estranho, avisando de que tinha algo diferente aos redor da casa...Ela amava meu namorado, que nunca vi gostar tanto dela, ela percebia o carinho que todos queriam dar pra ela, minha bolinha de pêlos, tentava dar, e dava em dobro o amor que sentia de volta.
Champy, Champy... Tenho orgulho de dizer que fui eu quem dei o nome pra ela, totalmente a ver com ela, minha corzinha de champanhe...Foi dada em meus braços, o presente mais lindo, mais perfeito, de aniversário, dia 22 de setembro, um dia antes dos meus 16 anos, ela veio no colo do meu pai, entregue pra mim, sujinha, molhada, ficava do lado de fora da casa natal, na chuva daquele dia. Ela era minha princesinha pra sempre a partir daquele instante.
Ela foi ensinada, a fazer suas necessidades no jornais, aprendeu a comer ração pra ter uma alimentação saudável como sempre quisemos para nossos bichinhos. Um cocô que outro tinha no tapete da sala de estar, a mãe até reclamava, me mandava limpar, mas nunca foi nada grave pra nós, ela era só um bebê, com o tempo ia se acostumar...
Sua presença na nossa vida a partir daquele momento foi intensa, ela marcava a todos que nos visitavam, ela era a graça do nosso lar: seu jeitinho de andar, os bracinhos tortinhos de cofap, a bundinha empinada por causa das costas mais compridinhas e as patinhas delicadas, sem contar naquela pelaiada que deixava ela a mais fofa sempre.
A Champy foi um TUDO
